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Sciences Cognitives

Estou de volta ao Brasil. Sou relapso com este blog. Ainda assim, planejo não deixar Monde Pois morrer. Tenho planos de ainda trazer muitas histórias para ele.

O último update que eu dei por aqui sobre a minha vida estudantil foi ainda no início de 2011, com a grade do Master 1 em Informática, então acho que está na hora de uma atualização neste campo.
O M1 correu bem, apesar de alguns percalços e dificuldades, consegui a aprovação. Mas ao final dele, eu estava cansado, querendo dar uma guinada nos meus estudos – mas continuar estudando. Então pesquisei e encontrei o Master Recherche Sciences Cognitives, uma formação de M2 conjunta entre várias universidades de Grenoble – UJF, UPMF, Stendhal e INP, sendo a última a responsável administrativa do curso.

O que são Ciências Cognitivas?

As ciências cognitivas designam normalmente o estudo científico da mente ou da inteligência.
A formação é basicamente um misto de várias disciplinas, incluindo Psicologia, Informática (sobretudo Inteligência Artificial), Linguística, Filosofia e Biologia. Eis a lista extensiva de disciplinas oferecidas: Psicologia Cognitiva; Ferramentas e Métodos Experimentais para Estudo do Cérebro e do Comportamento; Redes de Neurônios Formais (Redes Neurais); Inteligência Artificial, Vida Artificial e Cognição; Linguística; Filosofia da Linguagem; Comunicação Falada (opt); Sinais, Imagens e Modelos de Percepção Visual (opt); Modelos de Memória e Aprendizagem em Sistemas Naturais e Artificiais (opt); Neurociências Cognitivas de Competências Precoces: desenvolvimento da memória, da visão, da fala, das interações sociais e multimodais nos bebês (opt); Cognição Bayesiana: Modelos para Percepção, Aprendizado e Ação (opt).
Dentre as 5 optativas, era preciso selecionar 4. No total, 9 disciplinas, 10 se contar a língua estrangeira, tudo em apenas um semestre. O segundo semestre é reservado ao estágio de 5 meses e à escrita da monografia. Mas ao final a agenda não fica assim tão cheia. O calendário muda toda semana, de acordo com a disponibilidade dos professores, a ordem prática dos conteúdos etc. Mas é mais ou menos assim:

A carga do M2 de Ciências Cognitivas, nesta semana.

A carga do M2 de Ciências Cognitivas, nesta semana.

A diferença entre o meu primeiro ano e o segundo ano na França, além daquela óbvia do conteúdo, onde pulei de uma exata para uma pluridisciplinar, foi a língua. Enquanto o MoSIG é ensinado em inglês, tendo alunos de todo o mundo, o IC2A é ensinado em francês, tendo poucos alunos estrangeiros. Da minha turma, eu era o único não-francófono (havia 3 tunisianos mas, bem, na Tunísia se fala francês, então). Além de mim, apenas um outro intercambista Erasmus, vindo do Luxemburgo, mas que só fez algumas disciplinas.

A dificuldade da língua foi uma das barreiras que fizeram com que este semestre de estudos tenha sido um pouco menos agradável para mim. O resultado destas barreiras foi que eu não fui bem nas provas e fiquei com notas abaixo da média.

No semestre seguinte, arranjei um estágio na equipe de dialetologia do GIPSA-lab (Grenoble Images Parole Signal Automatique). De início, sem ter um tema bem definido, apenas especificado que eu iria trabalhar na área de motivação semântica, com o português brasileiro (o meu “diferencial” de ser brasileiro tinha que servir para alguma coisa, não é?) Após algum tempo de pesquisa em colaboração com os professores, levando em consideração o tempo disponível e a limitação física (a monografia deveria ter cerca de 30 páginas), definimos o escopo do trabalho, que ficou sendo a motivação lexical para as denominações de arco-íris no Brasil (no original, lexical motivations of the denominations for the rainbow in Brazil)

Para quem não é familiarizado com o estudo da motivação lexical, o vídeo abaixo dá uma breve ideia sobre os limites da linguagem e a aparente arbitrariedade das palavras (a partir de 6:20) (em inglês).

O resultado deste estágio então foi uma monografia escrita em inglês, de 30 páginas, abordando os princípios gerais da pesquisa sobre motivação linguística, a teoria, a relação com as ciências cognitivas, e, sobretudo, uma análise das diferentes denominações documentadas para o arco-íris em atlas linguísticos brasileiros. O trabalho foi bastante elogiado pela banca por mostrar uma visão distinta do trabalho do linguista, uma visão que claramente não vem de um especialista na área, mas de alguém “de fora”. Abaixo, link para o trabalho completo:

http://fr.scribd.com/doc/115617628

Et voilà.

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