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Como assim “França”?

Tudo começou lá por Février, quando eu estava, por acaso, conversando com uma amiga minha intercambista em Grenoble. Chorava eu as minhas pitangas, declarando que ela é quem é feliz, esquiando, montanhando, conhecendo lugares e pessoas, essas coisas, ao que ela respondeu “uai, vem pra cá também”.

Oras, reclamar da vida é muito mais fácil que agir para tornar realidade aquilo que você deseja, mas aquela ideia me deixou encucado e eu resolvi dar uma pesquisada. Acabei encontrando o site do programa Brasil-Grenoble, dei uma fuçada e resolvi me inscrever, pra ver no que ia dar. Sem muita esperança, afinal, o meu currículo não é lá dos melhores, também.

Um mês se passou… dois meses… nada de resposta, eu já estava pensando no que fazer da minha vida por aqui mesmo, quando chegou uma cartinha da Université Joseph Fourier. E a única coisa que eu consegui ler foi Admis. Única coisa que li, não por culpa da língua, ainda que desconhecida por mim, mas pelo choque, pelo nervosismo, pela surpresa daquela notícia.

Nos dias seguintes fiquei meio apático, eu diria. Processando a informação, fazendo a ficha cair. E então começou a correria. Meio desorientado, fui correndo atrás das informações. Visto, moradia, confirmação da inscrição no curso, passagem aérea, dinheiro…

Falando em dinheiro, como todo mundo me pergunta se eu vou com bolsa, eu respondo como funciona. Primeiro, não, eu não me inscrevi através de nenhum programa de bolsa, portanto, eu não tenho bolsa. Entretanto, o custo dos cursos superiores na França é subsidiado pelo governo francês (alô, Sarkozy!), então acaba saindo bem barato pro estudante, cerca de €250 por ANO. Claro que o estudante precisa se manter e nada por lá é barato, é preciso pagar residência, alimentação, transporte etc., despesas que giram em torno de €500 mensais. Assim, eu ainda estou em busca de um ganha-pão-francês, que provavelmente será alguma bolsa de pesquisa.

Esse é um resumo do início da história, a partir daqui, espero poder contar pra vocês o meu dia-a-dia, de trabalhador ignorante das maravilhas do mundo, nos recantos esquecidos da república dos pampas a mestrando maravilhado na província alpina da terra de Vercingetórix.

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