Família 6100

Quem acompanha o que eu escrevo aqui talvez lembre da história de como conheci Carol e Lorreine, no meu primeiro dia em Grenoble. De lá pra cá, muitos “olá, muito prazer” ficaram sem registro no blog, e alguns até na memória (acaba acontecendo quando você conhece assim tanta gente em um curto período de tempo). Naquela minha primeira noite, por exemplo, quando cheguei na cozinha e vi um bando de brasileiros fazendo zoada, eu lembro que lá estavam o Leo, Samuel, Felipe, e, claro, a Carol, que eu já tinha conhecido horas antes. Eu lembro do primeiro dia de CUEF, quando conheci a Naty, aquela menininha meio assustada no meio de tanta coisa nova e que virou uma grande amiga antes que eu me desse conta. Lembro de uma noite, a caminho do Théatro, quando conhecemos aquela menina chamada Sara, e de quando a encontramos por acaso no Casino e a convidamos pra jantar conosco. E fico triste quando constato que não lembro do Rafa, da Fer e da Thaís naquela primeira noite; que não lembro do exato momento em que conheci a Nai, a Bia, a Ale, o Lobão, e tantos outros que entraram na minha vida nos últimos meses.

Eu lembro de quando existiam “grupo A”, “grupo B”, e sei lá quantos grupos mais, até irmos nos conhecendo cada dia melhor e percebendo que formamos todos uma grande família, a comunidade brasileira em Grenoble. Uma família com quem você pode contar quando precisa falar um pouco de português, comer uma feijoada, e principalmente quando precisa de ajuda para resolver seus problemas, pois alguém já passou pelo mesmo que você – e porque contar os seus problemas é muito mais fácil na sua língua nativa.

A família do corredor 6100 é um pequeno núcleo desta grande família. A diferença, aqui, é que moramos todos juntos: nos vemos todos os dias, jantamos juntos, desabafamos uns com os outros, não temos pra onde fugir quando alguém bate à nossa porta. Somos uma família, pois, por mais que tenhamos as nossas diferenças, nós aprendemos a conviver diariamente uns com os outros, nos afeiçoamos e nos importamos uns com os outros.

Este mês, o corredor 6100 perde a sua mais instigante componente, uma guardiã de Grenoble que parte em busca de bombásticos desafios na sua terrinha, lá e de volta outra vez. Eu lembro do dia em que conheci Carol, lembro do que ela fez por tanta gente dessa família, lembro do dia em que ela me deixou entrar na sua vida, lembro dos trams que pegamos, dos jantares que tivemos, das risadas que demos juntos, lembro de todo o carinho que eu sempre senti por ela, e tenho certeza que vou me lembrar também do dia em que ela partir deste corredor para não mais voltar. Ainda teremos muitas memórias a construir, mas esse corredor não será o mesmo sem a nossa guardiã.

Me deixa um pouco triste essa efemeridade do intercâmbio. As pessoas vêm e vão, te trazem alegria, mas depois vão embora. Grenoble, para mim, perdeu um pouco do seu encanto com a ausência da Naty e da Ale, duas meninas de coração puro, e que me fazem tanta falta, e perderá mais um tanto nos meses em que Carol não estará aqui. Mas o que é o intercâmbio, senão uma sinopse da vida, certo?

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6 Respostas so far »

  1. 1

    Lorreine Beatrice said,

    Só digo que o 6100 parece o Show do Truman. Nunca morei nesse andar, mas é como se eu tivesse vivido várias dessas histórias 😉

  2. 3

    Neiva said,

    A vida meu filho, nos reserva muitas alegrias com os amigos de fé, de caminhada, de faculdade, muitas lembranças boas e não tão boas, pois nos desabafos de cada um, nas saudades e problemas individuais, aprendemos, sorrimos, choramos juntos e nos ajudamos a superar o que a vida nos apresenta. Fico feliz e tranquila aqui no Brasil, por saber que voce está bem, e que está se tornando um Homem maduro e sensível.Tenho muito orgulho das tuas escolhas, do que voce representa ai para teus amigos. Sei que voce sente saudades também da tua família aqui, que te apoia sempre, que te ama muito também. Conheço a força do teu coração e o quanto ele é grande pra caber cada vez mais amigos. Em breve estaremos juntos de novo.

  3. 4

    Jander Nascimento said,

    É como uma sinopse onde o filme nunca foi rodado, voce não sabe o que esperar.. vai ser uma eterna incógnita, seria melhor se durasse mais?! talvez.
    Mas a lembrança é tudo que você tem, nós somos feitos de lembranças, elas fazem sua personalidade.
    Então sempre que você olhar pra si mesmo no espelho, ao certo terá algum risquício de alguém.. um mote, um jeito de rir, uma piada.. você se torna uma síntese de tudo que conheceu e viveu.
    E as feridas da vida, o tempo cura. Tudo passa.

  4. 5

    Suezinha said,

    Psiu, tu sempre pode convidar os amigos pra te visitar e vice-versa…
    Fica triste nããão!

    Só mais uma pergunta: tua irmã de verdade casa no começo do ano que vem… tu consegues te fazer presente?

    bjundas

  5. 6

    Cassio said,

    AH MEU DEUS MINHA IRMÃ VAI CASAR!


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