Archive for março, 2011

Família 6100

Quem acompanha o que eu escrevo aqui talvez lembre da história de como conheci Carol e Lorreine, no meu primeiro dia em Grenoble. De lá pra cá, muitos “olá, muito prazer” ficaram sem registro no blog, e alguns até na memória (acaba acontecendo quando você conhece assim tanta gente em um curto período de tempo). Naquela minha primeira noite, por exemplo, quando cheguei na cozinha e vi um bando de brasileiros fazendo zoada, eu lembro que lá estavam o Leo, Samuel, Felipe, e, claro, a Carol, que eu já tinha conhecido horas antes. Eu lembro do primeiro dia de CUEF, quando conheci a Naty, aquela menininha meio assustada no meio de tanta coisa nova e que virou uma grande amiga antes que eu me desse conta. Lembro de uma noite, a caminho do Théatro, quando conhecemos aquela menina chamada Sara, e de quando a encontramos por acaso no Casino e a convidamos pra jantar conosco. E fico triste quando constato que não lembro do Rafa, da Fer e da Thaís naquela primeira noite; que não lembro do exato momento em que conheci a Nai, a Bia, a Ale, o Lobão, e tantos outros que entraram na minha vida nos últimos meses.

Eu lembro de quando existiam “grupo A”, “grupo B”, e sei lá quantos grupos mais, até irmos nos conhecendo cada dia melhor e percebendo que formamos todos uma grande família, a comunidade brasileira em Grenoble. Uma família com quem você pode contar quando precisa falar um pouco de português, comer uma feijoada, e principalmente quando precisa de ajuda para resolver seus problemas, pois alguém já passou pelo mesmo que você – e porque contar os seus problemas é muito mais fácil na sua língua nativa.

A família do corredor 6100 é um pequeno núcleo desta grande família. A diferença, aqui, é que moramos todos juntos: nos vemos todos os dias, jantamos juntos, desabafamos uns com os outros, não temos pra onde fugir quando alguém bate à nossa porta. Somos uma família, pois, por mais que tenhamos as nossas diferenças, nós aprendemos a conviver diariamente uns com os outros, nos afeiçoamos e nos importamos uns com os outros.

Este mês, o corredor 6100 perde a sua mais instigante componente, uma guardiã de Grenoble que parte em busca de bombásticos desafios na sua terrinha, lá e de volta outra vez. Eu lembro do dia em que conheci Carol, lembro do que ela fez por tanta gente dessa família, lembro do dia em que ela me deixou entrar na sua vida, lembro dos trams que pegamos, dos jantares que tivemos, das risadas que demos juntos, lembro de todo o carinho que eu sempre senti por ela, e tenho certeza que vou me lembrar também do dia em que ela partir deste corredor para não mais voltar. Ainda teremos muitas memórias a construir, mas esse corredor não será o mesmo sem a nossa guardiã.

Me deixa um pouco triste essa efemeridade do intercâmbio. As pessoas vêm e vão, te trazem alegria, mas depois vão embora. Grenoble, para mim, perdeu um pouco do seu encanto com a ausência da Naty e da Ale, duas meninas de coração puro, e que me fazem tanta falta, e perderá mais um tanto nos meses em que Carol não estará aqui. Mas o que é o intercâmbio, senão uma sinopse da vida, certo?

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Grenoble-Brésil

Ei, você, que está aí no Brasil, querendo fazer um intercâmbio, um mestrado, um doutorado, um duplo diploma, alguma coisa assim diferente, mas fora do Brasil, não deixe passar essa oportunidade!!

O programa Grenoble-Brésil está com inscrições abertas para o ano letivo 2011-2012, mas agilize que é só até o dia 30 de março (para o Master)! Você pode se inscrever sem ser por esse programa? Pode. Mas o programa Grenoble-Brésil te auxilia em muitas coisas, por exemplo, a conseguir uma residência, te auxilia no que for preciso na sua acolhida aqui, além, é claro, de fornecer um curso intensivo de francês durante o mês de agosto – mês que pode ser o melhor da sua vida.

Pra quem vai fazer intercâmbio, parece que o limite é 16 de maio, mas não deixe tudo para a última hora! São vários documentos para correr atrás, tirar cópia, traduzir, enviar etc, sem falar na novela do visto. Faça logo o seu passaporte, separe seus documentos (comprovantes de renda e esse tipo de coisa) e agende uma entrevista no consulado assim que possível, porque essa etapa é bem demorada.

Vocês podem acompanhar a novela que eu passei nos primeiros posts deste blog, ou podem me perguntar qualquer coisa pelos comentários ou por e-mail, que eu respondo (sempre que posso…).

Venham pra Grenoble que é muito legal! =)

E eis o site do programa: http://www.grenoble-univ.fr/programme-bresil/

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A vida não é gibi.

Retornando aos acontecimentos recentes da minha vida cotidiana, venho falar sobre como o meu curso é organizado e o final de semestre (acontecimento recentíssimo, de dezembro).

Na França, o esquema de provas de final de semestre é um pouco diferente do Brasil, enquanto no Brasil cada professor escolhe o dia da sua prova, que será durante a sua aula, às vezes entrando em acordo com os alunos pra que eles não tenham duas provas no mesmo dia, e coisas assim, aqui temos uma semana totalmente dedicada às provas. O lado bom disso é que você não tem que se preocupar com coisas novas, porque não está tendo aulas, por outro lado, você tem uma ou duas provas gigantes por dia, com duração de 3h, todos os dias, e, se você não estudou durante o semestre, pode já ser tarde demais.

Outro ponto importante a ser destacado sobre as provas é que elas têm peso 20, mas a média para aprovação, pelo menos no meu curso, é 10. Porém não é necessário ficar acima da média em todas as disciplinas, o que você precisa é ficar acima de 10 na média geral do semestre, ou seja, se você tirou 8 em uma disciplina e 12 na outra, tudo certo. Já se você ficou com uma nota muito ruim em alguma disciplina ou acabou não atingindo a média geral de 10, você precisa recuperar as notas baixas, então você deve fazer outra prova sobre a disciplina (o que chamamos de rattrapage), o que acontece no final do semestre seguinte. Enquanto isso, você cursa o semestre seguinte normalmente (até porque as notas do primeiro semestre só saem algum tempo depois que as aulas do segundo já começaram).

Mas como eu dizia, o peso total da prova é 20, mas, na prática, é quase impossível tirar 20. As provas parecem ser pensadas pra que você tenha tempo e conhecimento para responder apenas 50% ou 60%. E não digo isso porque é comigo que isso acontece, não, já ouvi muitos alunos de vários cursos e várias nacionalidades (mesmo os franceses) perceberem isso. E assim acontecendo, foi que ouvi vários colegas comentando as suas notas (alguns muito decepcionados) entre 10 e 11 (eu, particularmente, fiquei foi muito contente com meu 10.821). Resumindo, foi uma semana tensa, mas, pelo menos sob o meu ponto de vista, com um final feliz.

Bom, isso foi em dezembro, antes das férias de Natal (2 semanas). Após estas férias, voltamos à faculdade, desta vez para fazer um projeto de 1 mês, sem aula, apenas alguma orientação dos professores. O projeto foi apresentado no final de janeiro e contava nota para o primeiro semestre. Em seguida, sem qualquer outra pausa, iniciou-se o segundo semestre letivo, no dia 31 de janeiro. E agora, com um calendário ainda mais cheio:

Vida bandida...

Vocês podem contar aí 10 disciplinas, mais o inglês técnico, mais o estágio (TER). Destas 10, tínhamos que escolher 8 para cursar, ou seja, deixei de lado Robotics e Distributed Systems, o que me deixa um pouco mais livre, mas nem tanto, afinal, todas ou quase todas as disciplinas têm trabalhos para fazermos em casa. Assim, tem sido um semestre cheio, ainda mais que o primeiro, e não quero nem ver quando chegar a semana de provas…

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